20 de fevereiro de 2012

Palanque Alegórico


              Carnaval é tempo de divertimento para muitos, principalmente para os mais jovens que deixam aflorar toda a adrenalina que a idade sugere. Há tempos em muitas cidades do nosso país, o carnaval tem andado lado a lado com a política, chegando ao ponto das escolas de samba serem vistas como um excelente reduto eleitoral, onde aspirantes a cargos públicos de tempos em tempos as procuram para fazer benfeitorias ou oferecer ajuda financeira. Tal procedimento até então não causa problema nenhum, desde que os integrantes das agremiações se sintam livres para votarem em quem desejar, sem qualquer compromisso, o que na prática é o que ocorre. O que em minha opinião atrapalha a beleza do carnaval são alguns blocos carnavalescos serem usados como verdadeiros palanques eleitorais. Uma prática que tem virado lugar comum no carnaval cubatense desrespeitando totalmente a inteligência do público que vai assistir aos desfiles em busca de uns momentos de encantamento, através da beleza da decoração dos blocos e de letras criativas do samba-enredo.
                A coisa piora quando tais blocos são patrocinados com dinheiro público e seus diretores-cabo-eleitorais fazem com que o grupo de foliões-eleitores desfilem na avenida atrás de um palanque alegórico. Mas os palanques alegóricos não são exclusividade do carnaval cubatense, haja vista que a Banda Vahia de Abreu (nome devido à rua situada no Bairro do Boqueirão em Santos) homenageou nesse ano o eterno craque dos Santos Futebol Clube e Esporte Clube Corinthians Paulista, o Edu, que atuou ao lado de Pelé e outros craques da fantástica geração de 1960 do time da Vila Belmiro. A homenagem seria mais que merecida por tudo que o ex-ponta-esquerda representou para o futebol, se não fosse pelo fato de Edu também ser pré-candidato à vereador em Santos. A situação piora de figura quando tal bloco aparentemente não tem nenhum vínculo com a figura homenageada, que não é o caso de Edu, o que deixa transparecer que foi uma homenagem encomendada. No passado já tivemos outras homenagens assim, e tão cedo acredito eu que elas não deixarão de acontecer, mesmo por que os blocos têm a liberdade de homenagear a quem bem entender. Porém, homenagear pré-candidato em ano eleitoral sem nenhum motivo aparente é o mesmo que colocar na avenida um verdadeiro palanque alegórico e contribuir para que o carnaval se torne cada vez mais comercial e eleitoreiro.

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